não consegues ver? não percebes? é aquela coisa que te entra na alma e rasga o teu sentido aos pedaços. deixas de conseguir sentir, cheirar, ouvir. o teu toque perde-se naquilo que achas ser a melhor sensação do mundo e deixas-te levar. e a partir daí, já não te pertences. o teu coração, o teu corpo, os teus sentimentos, entrega-los sem perceberes. e o mundo deixa de rodar. ele pára repentinamente, tão rápido como quando piscaste os olhos ao ver aquela pessoa. a tal. as estações param e passa a haver só primavera - pássaros que parlam, flores que brotam do solo, céu azul e nuvens doces. nos teus sonhos, deixa de haver variedade, é ela, ela, ela, aquela pessoa que talvez sem querer, talvez por querer, te roubou aquilo que tomavas teu por garantido. dás por ti e estás a trabalhar mas o teu pensamento não está lá, apetece-te cantar e gritar ao mundo o quão bem te sentes, o quanto o teu coração vai explodir de contentamento. é algo tão grande que não achas ser possível guardar só para ti e vais mostrá-lo. vais dizê-lo. vais cantá-lo, vais gritá-lo, vais transmiti-lo física e espiritualmente. sabes as tais borboletas na barriga? sim, existem. vais senti-las sempre que estiveres perto dessa pessoa mas isso não te vai proibir de quereres que aquele momento dure para sempre, que aquela pessoa esteja contigo para sempre. vais ter muitas dúvidas: "será que gosta de mim?", "será que sou suficientemente bom?", blá blá blá. a maior certeza está lá - essa pessoa faz-te sentir mais jovem, mais feliz, mais preenchido, realizado. é a tua outra metade. não é qualquer um que encarna esse papel.
vais esperar que essa pessoa to retribua e quando isso acontecer, vais ser o ser mais feliz à face da terra. vais querer rir e chorar, viver aquele momento para sempre. tu pertences-lhe e aquela pessoa pertence-te. e isso é algo que nunca vai ser explicado. vem uma onda de emoções e tu deixas-te flutuar nela. é mais do que aquilo que pensas aguentar, é mais do que aquilo que pensavas poder existir. e ali estás tu, a pessoa a quem pensavas nada poder atingir e agora estás mais perfurado do que querias. estás inundado.
ou então, não vais ser correspondido. vai ser dilacerante, como se te matassem lentamente, minuto após minuto, dia após dia, isso te garanto. se for a sério, vais achar que não vais aguentar, vai ser demasiado forte de uma vez para aguentar. queres chorar mas já não tens lágrimas, queres gritar mas falta-te a voz. e também vais estar inundado. de amargura. não vais ver porque os teus olhos estão cegos de melancolia. não vais tocar porque os teus dedos estão dormentes de dor. se te perguntarem o que tens, não vais conseguir explicar porque é demasiado inexplicável. só quem sente é que sabe como é. vais-te afastar de tudo e todos pois a última coisa que queres é passar esse sentimento a alguém ou que sintam pena de ti. eles não sabem. depois, pensas que um dia isso vai passar. tentas levantar a cabeça e seguir em frente. mas depois de um dia vem outro e outro e outro e reparas que tudo o que tens feito é simplesmente inútil e figurado porque na realidade tens um buraco no peito que nunca mais vais conseguir fechar, é profundo e toca-te a alma. se é que ainda a tens, porque achas-te mais perdido do que nunca. um dia, vais vencer. não vais estar curado mas vais superar. não vais esquecer mais vais habituar-te.
mas, esse buraco, nada nem ninguém vai conseguir fechar-to. nada nem ninguém vai ocupar a posição da pessoa que to fez. não sei se se pode intitular essa força que rege tudo isto mas dizem que se chama amor. quando te sentires assim, é porque sabes amar. e também nada nem ninguém te vai tirar a melhor experiência da tua vida e essa pessoa que te fez sentir assim vai estar sempre sempre ao teu lado.
e muitas vezes é essa mesma pessoa que nos ensina a amar (esse trabalho tão difícil), e mesmo assim, não sei como nem porquê, é capaz de destruir tudo o que construiu.
ResponderEliminaré impossivel descrever melhor S:
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