quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

ouço mais do que aquilo que pensas. aliás, os meus ouvidos estão atentos ao mais pequeno rumor. pode parecer que estou alheia, abstracta, utópica até em relação aos acontecimentos circundantes. mas eu ouço mais do que aquilo que pensas. vejo mais do que aquilo que pensas. a minha cabeça pode aparentar estar concentrada na chuva da janela, as minhas palavras podem parecer estar guardadas dentro de mim. pode parecer que só estou a viver ao lado da vida enquanto os outros a vivem. pode parecer que me rio das piadas mas que não fazem sentido para mim, ou que às vezes estou triste só porque me apetece. mas eu toco. ouço, vejo e toco mais do que aquilo que pensas. talvez a tal chuva faça mais sentido do que tudo o resto. é tão simples: cai, molha, morre. quem me dera poder molhar alguém. quem me dera poder morrer e renascer. quem me dera que percebesses que também eu quero que tu me molhes. vamos morrer e renascer juntos; brilhar nas folhas e inovar a natureza.

às vezes, pode parecer que estou a sonhar. e estou. por mim, por ti, por nós. sonho com o dia em que vais perceber que quero que sejas a minha chuva. que escorras gota a gota sobre a minha pele e me rejuvenesças. que me imundes e inundes. e sonho com o dia em que toda a gente perceba que toda a gente precisa da sua chuva e não só do seu sol. que precisa de alguém que lhes lave as angústias e leve para longe os tormentos e as recordações passadas. um sol é bom. aquece-te, traz-te luz e torra-te as alegrias para que sobressaiam. mas é temporário e incerto. o sol deixa-te sem que percebas como. um dia, gostei de ter o meu sol. agora, quero a minha chuva. algo novo, fresco e límpido. sim, posso parecer sonhadora. mas eu ouço. eu ouço, vejo, toco e sinto. mais do que aquilo que pensas.


- mas tu, oh chuva, não (me) vês! não (me) ouves, não (me) tocas, não (me) sentes! tu chuva, não te dera comigo! não estás na utopia comigo! tu, chuva, lavas-me mas não te ficas! eu quero que te fiques! quero ficar-me em ti!


pode parecer que estou longe, de olhos fechados postos no infinito. quem me dera que percebesses que os meus olhos estão postos em ti. sei que me fazes sofrer sem qualquer pinga de conhecimento ou de culpa, mas quem me dera, oh quem me dera!, que percebesses que a minha adoração por ti é mais incontável do que as gotas de chuva que caiem!

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