quarta-feira, 5 de maio de 2010

2.30 am - sunday night

No outro dia tive uma conversa que nunca pensei ter em tais circunstâncias. Talvez por ser tarde demais, pela companhia, não sei. Nunca pensei e ponto. O certo é que foi de tal maneira marcante que fiquei a matutar nas questões propostas durante imenso tempo. Afinal, quem somos nós? O que achamos de nós, dos outros e do mundo? Será que nos conhecemos assim tão bem como achamos? Sempre pensei que tinha a situação controlada mas ao explorar esses temas senti-me a ir abaixo. Há muito mais do que aquilo que achava que me podia preocupar, e tanto falo de mim como de todos. Experimentem a fazer uma auto-crítica; pensem bem no vosso propósito de vida neste momento, se estão contentes com as vossas acções, se andam alheios ao assunto ou se muito ou pouco vos importa. Pois digo-vos já: importa. Por mais que não o queiramos enfrentar, tudo (tudo) à nossa volta nos importa e talvez as nossas acções não se baseiem tanto naquilo que queremos ou pensamos estar certo mas mais naquilo que pensamos que os outros vão achar certo. Sim, eu sei, não é uma novidade. E sei que ao longo do tempo o nosso pensamento vai mudando, é por isso que se chama maturidade, de qualquer maneira para mim foi diferente, depois dessa conversa. Percebi que afinal a maior parte das nossas acções, até involuntárias, são em prol dos outros, seja por falta de atenção ou apenas por necessidade de agrado e reconhecimento. Por muito que pensem que se estão a lixar para tudo e que fazem o que vos apetece, o vosso interior vai sempre levá-los às situações que são para os outros.
Vejam o exemplo: estão no grupo de amigos, aquele com quem se começaram a dar há pouco tempo mas tem muita piada e afins. Um deles faz uma piadinha acerca de outro e todos se riem. Vocês riem-se também. Agora - riram-se porque teve piada mesmo ou riram-se só porque era o mais acertado no momento?
Sinceramente, eu não conseguiria encontrar a resposta. Quem nos garante que não achámos piada só porque foi um momento engraçado? E isso significa que teve mesmo piada?
Depois de tal introspecção, sinto-me um bocado exausta e penso demasiado em tudo o que me rodeia e em mim mesma. Será que estou contente, será que posso fazer melhor? Será que tenho de mudar isto ou aquilo em mim por causa de fulano ou beltrano? Será que quero mesmo mudar? Será que vivo para mim ou por mim? Estou a fazer algo bom neste sítio ou seria melhor no outro? Acho que se todos pensássemos a sério acerca de nós, daríamos em loucos. Eu, pelo menos, dei durante um tempo. De qualquer maneira, não posso deixar de vos agradecer aos dois. Que a minha auto-estima subiu durante uns momentos, é verdade, e isso ninguém pode retirar. Obrigado por me fazerem conhecer melhor. Quem me dera que todos tivessem alturas assim.

2 comentários:

  1. maria, nem imaginas como compreendo todas as questões que te assaltam - porque me assaltam a mim também. nunca o consegui pôr em papel - neste caso papel virtual - e tu conseguiste na perfeição. todas as dúvidas, e a falta que faz a todos darem em loucos de quando em quando. congrats maria, gostei imenso.

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  2. Isto fez-me pensar mary, mas é tão dificil mergulhar no nosso interior, e isso só prova que não nos conhecemos assim tão bem e que temos medo do imprevisivel e da verdade que cá escondemos. muito bem mary, gostei muito

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