estou a entrar naquela fase quase-sono em que mil pensamentos vêm à tona e incrivelmente nenhuma palavra do dicionário parece adequada para expressar aquilo que sinto. é ao mesmo tempo uma liberdade e um aperto, uma euforia gritada e um silêncio sufocante. quero tanto ter a mente aberta, porque é que os olhos insistem em fechar? estranho como a vida é tão grande e o tempo tão curto, e os pensamentos mais absorventes são os mais inoportunos. queria parar para reflectir mas não me sinto funcional sem ser em movimento, e não me sinto móvel sem estagnar. quero fazer já tudo, tudo, tudo, mas não me apetece fazer nada. supostamente seria mau quando as coisas à nossa volta começam a perder o valor certo? as pequenas coisas agora despertam-me mais à atenção. mas isso é bom, certo? afinal, o que é bom o mau quando até viver se torna relativo? gostava de perceber se vale a pena ser racional ou emocional, já percebi que é impossível atingir um equilíbrio, mas também, quem é que inventou o equilíbrio?! é só mais uma estúpida meta para perseguirmos, que, evidentemente, nunca vamos conseguir cortar, e tira o sentido todo à vida com o pretexto de que terá sentido se lá chegarmos. é tão pesado tentar ser politicamente correcto, suficientemente simpático, não muito ingénuo, não muito excêntrico, por dentro egocêntrico e por fora altruísta. que teatro tão grande, meu deus! para que é que inventaram a palavra pureza se nem sabem o que é que quer dizer?! eu aposto que nunca ninguém a experimentou. queria tanto ser só, sabes, um ser? uma coisa que acontecesse. algo tão independente que nada me afectasse. tipo sozinha. se calhar não é muito bom sentir-me farta das raças, mas confunde-me demais saber que não há sítio algum onde possa estar e só SER. se bem que ser invisível também chegava, até me contento com pouco dentro do muito. onde não houvesse acção-reacção, onde nem respirar despoletasse o mínimo fenómeno no meu exterior.
é isso que está a acontecer agora. no quase-sono entras no teu mundo e sentes-te tão bem mas ao mesmo tempo tão TERRIVELMENTE mal por saber que não existe tal coisa como o "teu mundo". que nunca haverá. que hás-de sempre ter de partilhar o teu espaço com qualquer coisa que não sabe ter o discernimento de te dar um bocadinho, já nem peço tudo, de paz. seja um amor que não te dá descanso ou a merda de uma aranha gigante na tua cama. eu acho que já estou a chegar lá, à conclusão.
eu só queria um bocadinho de paz. e já nem peço no Mundo. chegava-me no meu mundo. e irrita-me saber que nem num, nem no outro. já agora, algum destes existe, mesmo? o dicionário é tão mentiroso...
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